
Eis-me aqui. Pela última vez, estou me despindo de todo o
mundo que me cerca. As preocupações, os problemas, os prantos. Inclusive os
teus. Despeço-me das várias vezes em que fui despedaçada por ti e,
infelizmente, por mim. Fecho os olhos, cautelosamente, e visualizo em mim cada
terno momento, para, enfim, esquecer. E assim, declaro o fim.
Tendo um fim, deixa de ser um ciclo. Não sendo um ciclo, inexiste
o recomeço. Sendo assim, ao despedir-me de tudo o que faz referência a você e a
o que fomos um dia, despeço-me do amor mais intenso e da ficção mais sonhada de
toda a minha vida. Se achas que a juventude não me permite falar com
propriedade, provas que realmente não decifrou-me.
Sinto em mim, pela última e terna vez, o teu sorriso sincero -
sim, eu o vi -, teu olhar mais calmo, teu tom de voz mais apaixonado. A
inspiração talvez me vá, mas sei que volta. Espero, um dia, poder sorrir ao
lembrar de nós. Mas agora não. Por enquanto, quero poder bradar o esquecimento
e a liberdade - tão sonhada!
E, além de mim, eis aqui o último parágrafo sobre o que você
representou para mim. Se esquecemos o primeiro amor? É para isso que oro.
Dizem que o poeta só é bom quando sofre. Se a afirmação for real, despeço-me,
acima de tudo, da qualidade poética. O coração alegre deixa de pulsar por ti a
cada sístole e diástole, fazendo agora apenas sua função vital. As têmporas já
não vibram mais amor. E a última frase para ti, a sinceridade escorrendo na
ponta dos dedos indo-se com o último suspiro. Eu te amei.
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