Escrevo por
escrever, de forma espontânea e sem maiores intenções. Às vezes as
interrogações alvejam meus pensamentos e tudo o que anseio é existir (no mais
puro sentido que o verbo possa admitir). Hoje, dia onze de outubro de dois mil
e catorze, eu escrevo por não ter sido integralmente feliz. Por ter a vontade e
o devaneio de um amor real, cativante e com uma história de marejar o olhar.
Falta um pedacinho de qualquer coisa em mim, visto que não tenho dedicatórias
decentes, nem cartas dignas de serem lidas várias vezes, nem fotos reveladas
com carinho, nem fotos interessantes no instagram. Eu não vivi um amor por inteiro
e ainda que eu seja jovem, este fato me incomoda horrores. Quem entende? Hoje,
dia já mencionado, eu me peguei com vontade de ler Clarice mas com medo de tudo
aquilo que ela me faz sentir. Sem querer encarar questionamentos e verdades que
farão com que eu me depare com uma existência deveras vazia: a minha. E só eu
saberei o quão doloroso será encarar tal verdade e reparar que, por não ter
vivido tantos amores para viver só comigo mesma, não gosto tanto assim - nem de
mim e nem dos outros. Eu não me deixei levar e agora nada faz um sentido real
(e nem irreal, pois quem me dera). A poesia da vida só tocou meu íntimo na depressão,
nunca no sorriso. "À flor da pele" nunca foi uma expressão que me
descreveu.
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