Sentir o teu sussurro, o teu afago, o teu sugar o ar ao
encostar-se à minha nuca e em meus ouvidos. Ah, como iria aparecer em tua
frente um ser completamente derramado em teus braços, pronto a uma total
entrega, onde todos os nossos sentidos se uniriam em um único espaço transbordando
a órbita que nos cobre. Teus braços firmes a me envolver, tua boca macia a me beijar.
Beijando-me por inteira com a intensidade que desafia as leis dos pobres homens
banais.
Existe um labirinto que surge e me faz lembrar que o caminho
até você, e todo esse deliciamento de emoções e sentimentos e puro e forte
desejo é algo extremamente inexistente e inexplorável. A realidade do desejo é distante, amarga,
cruel. E pior é pensar que tudo não
existe e nunca existiu.
Mergulho no meu maior mar da serenidade e busco em um lago
de amarguras toda a imaginação que nutre o que não existe. Trago na memória,
somente na memória o rabisco de sol. Sol que representa surgimento, dia,
clarão, e quem sabe, realidade.
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