Não consigo mais fingir. A saudade pesa em meus
suspiros tristes e sinto sua falta a cada tilintar do relógio. Por mais que eu
tente lutar contra essa tristeza desenfreada que me invade, sua falsa
felicidade me indigna e me faz sofrer. A todo momento pergunto-me o motivo de
sua partida e lamento sua ausência.
O modo como me desmonta aos risos quando passa por mim e como consegue bambear
minhas pernas com um simples toque ou um beijo na bochecha de bom dia. Tudo
tornou-se trivial e agora somos como todos, sem distinguir-nos nos prazeres
proibidos da vida.
Aquele desejo irrefreável, aquela ira apaixonada, aqueles minutos... Morreram?
Sumiram? Acabaram?
Como pode tamanha poesia terminar em uma simples curva? Como podem tantas
promessas não serem cumpridas apenas por medo?
Era desejo, paixão. A desilusão chegou e tornou amor. O amor é pungente e
insistente. Para mim, apenas. Curiosidade me domina por querer saber o que você
pensa, sente e quer. É amor? Dói? Insiste? Ou apenas uma pausa como todas as
outras?
( Texto escrito no dia 27 de setembro de 2012)

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